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CAIÇARAS


   
         
   
         
   
         
   

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Caiçara é o povo descendente do encontro de portugueses e índios e que desde sua origem optaram por viver fora dos centros urbanos, juntos ao mar, tirando dele os recursos necessários à sobrevivência.

A abertura da rodovia BR-101 trouxe o turismo e a especulação imobiliária, tirando os caiçaras de suas tradicionais vilas em belas praias, concentrando-os em terras novas de Paraty como os bairros Ilha das Cobras e Mangueira, próximos ao centro histórico mas longe do mar. Alguns, mesmo na cidade, mantiveram sua cultura de construção naval (escunas, baleeiras e canoas) montando pequenos estaleiros na margem do rio Mateus Nunes. Outros montaram novas vilas caiçaras, em locais na costa ou em ilhas como Corumbê, Praia Grande e Araújo.

Algumas comunidades caiçaras que vivem em áreas de praias, costeiras e enseadas de difícil acesso e dentro de áreas de preservação ambiental, como por exemplo, as comunidades de pescadores do Sono, Ponta Negra, Pouso, Cajaíba, Saco das Enchovas, Joatinga, Martim de Sá e Cairuçu, não foram afetados pela expansão das cidades. Esses caiçaras mantém ainda hoje suas tradições e, estando afastados da civilização, tiveram sua cultura preservada.



As principais características da cultura caiçara são:

- o meio de transporte no mar é a canoa de origem indígena, feita de um único tronco;

- a alimentação vem da pesca, da agricultura de subsistências e do extrativismo (caça e colheita de palmito), sendo o prato mais comum o arroz, feijão, farinha de mandioca e peixe frito, feitos no fogão a lenha;

- a renda, quando existe, vem da venda do excedente da pesca e do artesanato;

- a agricultura utiliza técnicas herdadas dos índios, sistema hoje conhecido como roça de toco e, consiste na derrubada com facões e machados, seguida da queima da vegetação nativa para plantação de mandioca, milho, feijão, batata doce, inhame, banana, cana e café. Para não prejudicar o solo, faz-se um rodízio do tipo de plantação;

- utiliza-se o sistema comunitário de trabalho seja na pesca (o fruto da pesca é dividido por todos, de acordo com alguns critérios), na agricultura (todos ajudam na derrubada, plantação e colheita), na construção de casas (feitas em mutirão) e na produção de farinha de mandioca (existem casas de farinhas espalhadas próximas às plantações que podem ser usadas por todos);

- a religião é a católica, herdada dos portugueses (atualmente há a presença de igrejas evangélicas);

- as casas mais antigas são de pau a pique, com teto de sapê e chão de barro;

- possuem um rico conhecimento do uso de plantas para fins medicinais.

Se de um lado as embarcações utilizadas são de origem indígena, na forma de pescar predomina elementos da cultura portuguesa. Os equipamentos de pesca são divididos em três grupos: os de ferrar o peixe (anzol, bicheiro, corrico, arpão, fisga, garatéia, espinhel); as redes (cerco, espera, arrasto de praia, arrasto de fundo, tarrafa, gererê e puçá); e as armadilhas (armação de bambu ou arame com isca para atrair o peixe). As formas de pescaria utilizadas pelos caiçaras em Paraty são:

- pesca de linha de fundo: feita com canoas fundeadas sobre pedras submersas, utilizando linha e anzol;

- pesca de linha de mão: a linha e anzol são jogados da praia ou costões;

- espinhel: corda com vários anzóis em cabos de aço, lançada em alto-mar no entardecer e retirada ao amanhecer;

- corrico: anzol com isca natural ou artificial arrastado por uma linha com a embarcação em movimento;

- garatéia: isca artificial cujo anzol possui várias pontas, utilizada na pesca de lula. O pescador segue com sua canoa o cardume de lula;

- arpão: pesca submarina que utiliza o arpão (espécie de lança de metal impulsionada por espingarda de elástico ou ar comprimido) para captura do peixe;

- bicheiro: pesca submarina que utiliza o bicheiro (espécie de haste comprida com um grande anzol na ponta) para captura de moluscos e crustáceos (em especial o polvo e a lagosta);

- rede de cerco: rede circular utilizada para cercar um cardume;

- rede de espera: rede retangular com bóias na parte superior e chumbo na inferior. A rede fica armada de um dia para o outro e pode ser montada tanto no meio do mar como próxima à costa;

- arrastão de praia: rede retangular com bóias na parte superior e chumbo na inferior. Joga-se a rede formando um semicírculo junto à praia. Pescadores, a partir da praia, unem as duas extremidades e puxam-na. Utilizada para a pesca de siri, camarões e algumas espécies de peixe. Pode ser feita de outra maneira: um pescador segura da praia uma extremidade da rede e outro segura do fundo do mar (numa profundidade que dê pé) arrastando a rede perpendicularmente à praia;

- arrastão de fundo: com a rede em forma de funil uma ou duas embarcações puxam-na. Por onde passa a rede o fundo é remexido destruindo ovas de peixes e crustáceos, além de capturar peixes de pequeno porte. Considerada como pesca predatória e utilizada principalmente para a pesca do camarão;

- tarrafa: rede circular jogada de cima de canoa ou da margem de rios sobre o peixe. Em Paraty pesca-se de tarrafa paratis e tainhas;

- gererê e puçá: pequenas redes circulares com isca dentro, utilizada na pesca de siri e camarão;

- covo: armadilha de palha ou aço com isca dentro. Possui um buraco que permite o peixe entrar, mas não sair. Retirada no dia seguinte.