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AS EMBARCAÇÕES EM PARATY



Canoas Indígenas

As primeiras embarcações a navegar pelas águas fluviais e marítimas de Paraty foram as canoas indígenas, feitas de um único tronco. Antes da chegada dos portugueses, os índios viviam na Idade da Pedra, motivo pelo qual não seria possível a construção de embarcações mais elaboradas. Essa condição limitava também o tamanho das canoas, pois era difícil escavar grandes troncos utilizando ferramentas de pedras. As canoas indígenas para dez ou mais lugares tornaram-se mais comum depois do contato com os portugueses, quando o índio passou utilizar o metal, cedido pelos portugueses em troca do pau-brasil.







Caravelas

Embarcação de origem moura, a caravela foi modificada e melhorada pelos portugueses para viagens longas, sendo utilizada nos descobrimentos das rotas marítimas da África e Índia e para exploração do litoral brasileiro, incluindo aí a baía de Ilha Grande. Embarcação de porte médio, com menos de 200 toneladas, as caravelas possuíam uma relação entre comprimento e largura de 3:1. Tinham três mastros e velas latinas (retangulares ou triangulares). O casario da tripulação ficava na popa, motivo pelo qual esta era mais alta do que a proa. Apesar de serem embarcações leves e ágeis foram logo substituídas pelas naus, maiores e de velame redondo. Este tipo de embarcação foi muito utilizada no fim do século XV e início do XVI.






Naus

Após o período dos descobrimentos, surgiu a necessidade de embarcações maiores para o transporte de cargas como o pau-brasil, açúcar, metais preciosos e escravos. Assim, chegavam no litoral brasileiro as naus, com porte médio de 1000 toneladas. Possuíam quatro mastros e velas redondas. Arredondado, também, era seu casco, tanto acima como abaixo da linha d’ água. Havia casario para mantimentos e cargas na popa e, para a tripulação, na proa.






Sumacas

A partir de meados do século XVII toda a riqueza produzida no país e exportadas para a Portugal eram levadas aos principais portos. Surgia daí a necessidade de embarcações menores para levar as mercadorias dos centros produtores para esses portos. Para atender a demanda deste tipo de barco foram montados vários estaleiros no nordeste brasileiro. Começa assim a produção de sumacas, embarcações de origem holandesa, com dois mastros e velas latinas (retangulares ou triangulares), utilizadas para transporte de carga e passageiros entre portos nacionais. Em Paraty, durante o ciclo do ouro e do café, eram as sumacas que embarcavam esses produtos para serem levados ao porto do Rio de Janeiro, de onde eram exportados para Portugal. Substituídas pelos barcos a vapores em meados do século XIX, continuaram sendo usadas em Paraty até início do século XX, para transporte de pescados e produtos agrícolas para o Rio de Janeiro.






Barcos a Vapores

Inventado nos Estados Unidos em 1807, chegaram ao Brasil aproximadamente cinqüenta anos depois. Enquanto as sumacas navegavam no máximo a 16 km/h os barcos a vapores faziam 57 km/h, motivo pelo qual substituíram às sumacas. Dois barcos a vapores - o Nacional e o Presidente - faziam o transporte de passageiros e cargas entre Paraty e Rio de Janeiro, uma vez que até 1950 não havia estradas ligando Paraty à outra cidade.






Canoas Caiçaras

Devido ao isolamento econômico e geográfico que Paraty viveu entre 1870 e 1950, a canoa caiçara era a embarcação mais utilizada pelos paratienses para navegação e pesca dentro da baía de Paraty. De origem indígena e feita de um único tronco, pouco se modificou com o passar dos séculos. A construção de uma canoa impõe que seu construtor permaneça alguns dias na floresta para a escolha da árvore, o corte e a escavação grosseira do tronco, ficando assim mais leve para ser transportada até o mar. Dependendo do tipo de árvore utilizada, varia o tamanho, a durabilidade, o peso e a estabilidade da embarcação. O cedro é considerado a melhor madeira, por ser leve e bastante resistente à água salgada. O corte da árvore é feito na lua nova para evitar brocas e fungos. A proa da canoa fica do lado da raiz, por ser mais larga. Do lado mais chato do tronco é feita a boca da canoa. A pintura, feita com tinta óleo, possui cores alegres. A canoa é utilizada para a pesca, transporte, lazer e esporte. Para se ter uma idéia dos tamanhos de árvores que havia em Paraty basta observar algumas canoas para mais de dez pessoas, possuindo até motor de centro. É interessante reparar que apesar de não ser mais utilizado o vento para mover as canoas, em todas elas há um furo no banco dianteiro onde se poderia encaixar um mastro com vela.






Baleeiras

Com a diminuição do pescado, veio a necessidade do caiçara ir cada vez mais longe em busca do peixe. Atendendo essa finalidade, as primeiras baleeiras apareceram em Paraty no final da década de 1950. Embarcações tipicamente brasileiras, as baleeiras foram projetadas para atividade pesqueira. O formato do seu casco permite enfrentar mar aberto e, no pequeno casario central há beliches e um fogão para que os pescadores possam dormir e cozinhar. O porão para guardar peixe fica na proa (parte da frente da embarcação) e é refrigerado com gelo. Apesar do nome, em Paraty, nunca foi usada para a pesca de baleia. As pescas mais comuns feitas de baleeira são o arrastão, o espinhel e a rede de espera. No arrastão uma ou duas baleeira puxam uma rede que vai capturando tudo que há pelo caminho. Já no caso do espinhel (cabo de aço com vários anzóis presos) e na rede de espera (rede com bóias na parte superior e pesos na inferior) a baleeira é utilizada para colocar e recolher esses instrumentos de pesca em determinados pontos em alto mar.

Com o aumento do turismo e a diminuição cada vez maior do pescado, muitos pescadores adaptaram suas baleeiras para atender essa nova demanda. Assim o casario central foi retirado e, na proa, onde antes havia o compartimento para armazenar o pescado, fizeram uma cobertura para que os turistas subam para tomar sol ou fiquem embaixo para se proteger do sol e do vento. Muitas também foram transformadas em barcos de cargas para levar materiais de construção às casas de veraneios construídas nas ilhas e costas.

Uma embarcação semelhante à baleeira, e utilizada em Paraty para os mesmos fins, é a traineira. A principal diferença entre elas é que a primeira, como teve sua origem na pesca de baleias, possui “dupla proa” (duas frentes) a fim de que, depois de arpoada, a baleia pudesse arrastar a embarcação para frente ou para traz. A popa (parte de traz) da traineira é retangular (ou chata), pois não havia necessidade de andar nas duas direções (a foto abaixo é de uma traineira).






Escunas

O turismo trouxe para Paraty, além de veleiros e lanchas, um novo barco: as escunas. Com capacidade para até cem passageiros, as escunas são de origem portuguesa e feitas na Bahia ou Maranhão. Uma dúvida que ocorre freqüentemente é qual a diferença entre escuna e saveiro. Existem vários tipos de escuna e um deles é o saveiro, distinguindo-se dos demais pelo formato do casco, quantidade e posição dos mastros e, principalmente, pela origem histórica. O saveiro é brasileiro. É uma adaptação do saveleiro, uma embarcação que os portugueses utilizam desde o século XV para a pesca do savel - espécie de bacalhau encontrado no Mar do Norte. O saveleiro foi escolhido pelos pescadores daquelas águas agitadas por suas excepcionais qualidades de segurança e facilidade de manobra, aliadas à boa capacidade de carga. Trazido para Bahia no início do século XIX, o saveleiro passou a ser contruído em diversos estaleiros da região, para ser utilizado na pesca e no transporte de cargas ou passageiros. Os baianos logo trataram de motorizá-lo e de encurtar seu nome para saveiro