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FAZENDAS HISTÓRICAS EM PARATY


Enquanto nas fazendas do nordeste brasileiro haviam construções separadas para o engenho de açúcar, para a moradia, para a senzala e para a capela, no sudeste, uma única cobertura abrigava todas essas atividades.

As antigas fazendas de Paraty eram áreas rurais destinadas a agricultura e à produção de aguardente e açúcar. Seus casarões eram construídos para atender essa finalidade rural/industrial e ainda serviam de residências aos proprietários e escravos. Todas as fazendas aqui mencionadas possuem (ou possuíam) rodas d’água que moviam o engenho e a casa de farinha (local de produção de farinha de mandioca).

Para facilitar a produção de pinga, os casarões eram construídos em três níveis. No nível superior ficava a roda d’ água e o engenho. Na parte externa do nível intermediário ficava o alambique (equipamento utilizado para destilar a pinga) que recebia por gravidade o caldo de cano vindo do engenho. Na parte interna desse nível estava a residência dos proprietários, sempre com vista privilegiada para a fazenda ou para o mar. No nível inferior ficava numa parte a senzala e, em outra, os barris de pinga, recebendo por gravidade a pinga destilada no alambique.

A produção das fazendas acompanhava os ciclos econômicos do Brasil. No século XVIII plantava-se cana-de-açúcar para produção de açúcar, melado e pinga. No século XIX plantava-se café, sem, no entanto, abandonar por completo a produção da pinga.

As paredes dos casarões são, até hoje, de pau-a-pique (estrutura de troncos finos e verticais entrelaçados com bambu e preenchidos com barro) e os telhados são cobertos por telha colonial (moldadas nas coxas dos escravos), não possuindo forro. As fazendas não possuem a mesma área de terra de antigamente, mas seus casarões apesar de estarem mal conservados, são de grande beleza.

Os alambiques que havia nelas também não estão mais em operação. Dos casarões das antigas fazendas restaram os seguintes:
Sede da Fazenda Bom Retiro





Fazenda Boa Vista

O alambique da fazenda Boa Vista foi um dos mais tradicionais de Paraty, produtor da pinga Quero Essa, hoje produzida em outro local. O casarão da sede da fazenda foi construído no século XVIII. Em 1854 foi adquirida pelo avô materno do escritor Thomas Mann. Posteriormente foi comprada por Miguel Freire da Mata que a vendeu para a Companhia Agrícola e Industrial Fluminense, falindo logo depois, ficando a fazenda e o casarão abandonados.

O casarão está localizado na beira do mar e possui belíssima vista para a baía de Paraty e para a cidade. No piso intermediário, onde era a residência dos proprietários, há uma sacada contornando todo o andar. O casarão foi tombado em 1957 pelo Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. Hoje é a sede de uma marina, onde ficam os veleiros do navegador Amyr Klink.

Fazenda Boa Vista.





Fazenda Bananal

Atualmente conhecida como Murycana, essa fazenda já pertenceu à Dona Geralda Maria da Silva e posteriormente a Samuel Costa, ambos figuras de importância histórica em Paraty. Possuia originalmente 314 alqueires. O antigo Caminho do Ouro, com seus tropeiros e bandeirantes, passava pela fazenda. O casarão da fazenda é uma edificação de uso residencial/industrial – sede da fazenda e engenho. As paredes foram construídas de pau a pique, sendo as colunas feitas de pedra e óleo de baleia. O pavimento superior era destinado à residência e o inferior servia de senzala e, posteriormente, para a fabricação de pinga. A roda d’água que move o engenho é de origem inglesa e possui aproximadamente 200 anos. No alambique já foram produzidas as pingas das marcas Paratiana, Serrana e Murycana. Atualmente o alambique não está mais funcionado.

Hoje o lugar é uma fazenda turística com pequeno museu, restaurante, passeios a cavalos e parques para criança e adultos, possuindo equipamentos para prática de esporte de aventura como arvorismo e tirolesa.




Outras Grandes Fazendas em Paraty

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Fazenda

Tamanho (alqueires)

Antigos Proprietário

Serra

4000

Jayme de Almeida Babello

Barra Grande

1590

Joaquim Alegria Dantas Callado

Santa Cruz

1190

Hélio Bernardo Pires

Pedras Azuis

600

Alfredo Serta

Mamanguá

333

Aristóteles J. Ferreira

Laranjeiras

300

Antônio Alves Bortoza

Corisco

197

José Theóphilo Costa Marinho

Taquari

46

Alberto Maranhão

Itatinga

30

Gabriel Arcanjo de Alavarenga

Santo Antônio

Mário de Oliveira Roxo

Pedra Branca

Cel. Manoel Francisco Alvarenga e Souza

Olaria

José Vieira Ramos