| ARQUITETURA COLONIAL |
 |
|
| A principal característica
da arquitetura de Paraty é a sua simplicidade |
| |
| Em
meados do século XVII, quando a vila de Paraty
estava começando a se formar, a elite social
eram os fazendeiros proprietários de engenhos
de açúcar. Estava nas fazendas, portanto,
e não na vila as melhores casas. As primeiras
construções da vila eram em sua maioria
feitas com paredes de madeira e tetos de sapé.
Raras eram as construções feitas em
pau-a-pique e com telhas de barro e, mesmo destas,
poucas restaram em pé. |
| |
| As edificações
do século XVIII encontradas hoje no bairro
histórico são construções
simples, a maior parte térreas, feitas de
pau-a-pique e com pouca preocupação
estética. As vergas (peça de pedra
ou madeira que se põe horizontalmente sobre
a ombreira ou batente) são de linhas retas. |
| |
| Os sobrados, construídos
a partir da segunda metade do século XVIII,
eram muitas vezes feitos sobre casas térreas
já existentes, motivo pelo qual percebe-se
em alguns deles, misturas de estilos, como por exemplo
portas com vergas retas no piso térreo e,
janelas com vergas curvas no piso superior. |
| |
| Com a elaboração
do Registro de Posturas da Câmara Municipal
da Villa de Paraty em 1829, as edificações
passaram a ter uma padronização e
maior preocupação estética.
Os beirais das casas, por exemplo, definiam a posição
social do proprietário: os do tipo cachorro
eram de pessoas simples, os de cimalha eram dos
mais ricos, as beiras-seveiras eram mais utilizadas
nas construções religiosas e militares. |
| |
|
| O beiral de simalha
e a telha em louça mostram que a casa pertencia
a um rico morador |
| |
| Abaixo alguns artigos
do Registro de Posturas da Câmara Municipal
da Villa de Paraty de 1829: |
| |
| artigo 2: Querendo
qualquer edificar ou reedificar ... será
obrigado a requerer ao fiscal para lhe fazer alinhar
pelo Arruador ... seguindo a melhor direção
da rua |
| |
| artigo 3: Os edifícios
serão levantados sobre pilares de pedra e
cal. As casas térreas terão altura
de dezoito palmos (aproximadamente quatro metros),
as de sobrado trinta e cinco (aproximadamente oito
metros) incluída a madeira em umas e outras.
As janelas e as portas terão cinco palmos
(um metro e dez centímetros) de largo, de
altura estas doze e aquelas sete ... |
| |
| artigo 5: Os edifícios
que de novo se fizerem ou se reedificarem serão
aformoseados na frente e externo das vias onde findar
o pé direito sem cimalha .... |
| |
| artigo 10: Os que possuem
terreno ... serão obrigados a fechá-lo
com parede rebocadas... |
| |
| artigo 12: Dentro
dos marcos da Villa é proibida a cobertura
de casas de palha ou de sapê |
| |
| Detalhe curioso sobre
a arquitetura colonial são as alcovas - cômodos
sem ventilação, situados no centro
das habitações, utilizados como dormitório,
despensa ou capela - que apareceram com a necessidade
de se aproveitar espaços quando as casas
eram contíguas. |
| |
| No século XIX
começou a procura por maior privacidade dentro
das casas com a introdução de treliças
- grade de madeira - nas janelas e portas, permitido
a ventilação e impedindo a visão
para dentro das casas. As janelas de vidros, no
estilo guilhotina, chegaram no Brasil junto com
a família real, no início do século
XIX, mas até o fim desse mesmo século
ainda era considerado artigo de luxo. |
|