| A VIDA NO DIA A DIA COLONIAL |
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| Nas principais
esquinas haviam lampiões movidos a
óleo de baleia |
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No século XVII, as casas da Villa
de Nossa Senhora dos Remédios de
Paraty, construídas ao redor da igreja
matriz, eram mais espaçadas uma das
outras, sendo comum terem ao fundo quintal
cercado onde, devido a constante falta de
mantimentos, eram plantadas hortas de subsistência
além de criarem galinhas e porcos.
As cozinhas dessas casas ficavam do lado
de fora, junto ao quintal, evitando assim
que a fumaça do fogão a lenha
entrasse na casa. A classe dominante era
formada pelos senhores de engenho que moravam
em suas fazendas, e não na vila. |
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| No século
XVIII, com a descoberta do ouro em Minas Gerais,
a economia de Paraty se diversificou. O comércio
de produtos para abastecimento das minas,
fez aparecer uma nova elite: os comerciantes.
Foram esses que começaram a construir
os sobrados na vila, onde na parte inferior
ficava o estabelecimento comercial e na parte
superior a residência. |
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| Até o
fim do século XIX não havia
água encanada nas casas. Para piorar
a situação, a vila localizava-se
muito próxima do mar, impedindo a construção
de poços ou cisternas. A construção
de dois chafarizes, um no largo Santa Rita
e outro na praça do Chafariz, amenizaram
o problema da falta d’água na
vila. Ali os moradores ou seus escravos iam
buscar a água para beber, banhar e
limpar louças e panelas. Os homens
preferiam tomar banhos nos rios para economizar
água. Já as mulheres tomavam
banho com ajuda de jarras de barro. Mas o
mais comum, para ambos os sexos, era os “lava-pés”,
onde se lavava apenas os pés para evitar
o temido “bicho-do-pé”.
Também não havia banheiro nas
casas e as necessidades fisiológicas
eram feitas nos urinóis e depois jogadas
no mar ou no rio. O Código de Postura
de Paraty, aprovado pela Câmara Municipal
em 1870, regulamentava sobre o assunto no
seu artigo 25: “Todo despejo de imundícies
será feito no rio Perequê-Açu
ou no mar, entrando o escravo ou a pessoa
que o faça até dar água
no joelho. Quando houver materiais fecais,
não poderá ser feito o despejo
senão em vasos bem tampados, e no período
após toque de recolher e até
as quatro horas da manhã.” |
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| A comida básica
era feijão com farinha de mandioca |
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| As atividades
diárias como acordar, comer, trabalhar
e dormir, eram definidas pela luz do sol.
Para iluminar as casas durante a noite eram
utilizadas velas ou lamparinas movidas com
óleo animal (em especial o de baleia)
ou vegetal (como o de mamona), mas que devido
à dificuldade de serem obtidos, eram
logo apagados. Nas principais esquinas da
cidade haviam lampiões que eram acesos
depois do por do sol, durante vinte dias por
mês - na semana de lua cheia não
eram acesos. A luz elétrica, obtidas
com geradores a diesel, chegou em Paraty em
meados do século XX. |
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| Se por um lado
a arquitetura das casas da vila de Paraty
seguia o estilo português, a forma de
construir - paredes de pau a pique, telhados
de sapês - e a mobília eram de
origem indígena. Vieram dos índios as redes e esteiras da palha para dormir,
a cerâmica de barro para cozinhar, as
cestarias de fibra vegetal para guardar mantimentos,
o pilão para socar milho. Os móveis
de madeira no estilo europeu eram objetos
escassos e caros, tanto que faziam parte de
inventários nas partilhas das heranças.
As camas começaram a ser utilizada
no Brasil somente a partir de 1750. Até
1800 não se utilizava talheres ou pratos
nas refeições. As comidas feitas
nos fogões a lenhas e panelas de barros
eram colocadas no chão e as pessoas
se serviam com a mão. Em Paraty esse
costume ainda é lembrado pelos mais
velhos. |
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| Era de responsabilidade
das mulheres a comida, limpeza e organização
da casa, o comando dos escravos doméstico
(quando havia) e a indústria caseira (produção de sabão, doces
em conservas, combustível para os lampiões,
roupas, cortinas, tapetes, chapéus,
balaios, vassouras de piaçava, espanador
de pena). As mulheres brancas, raras no período
colonial, eram proibidas de sair na rua pelos
seus maridos ou pais, com exceção
para as missas, teatros ou óperas e,
mesmo assim, só acompanhadas. A vaidade
já fazia parte das mulheres, tanto
brancas como negras, que não saíam
nas ruas sem estarem produzidas com jóias
preciosas nas primeiras e colares com cruz
ou figa de madeira nas últimas. As
índias também se produziam com
adornos feitos de penas, dentes, sementes
e tinturas. |
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| Os fogões
a lenha ficavam no lado de fora da casa por
causa da fumaça |
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| Nas refeições
a comida básica era o feijão
e a farinha de mandioca (o arroz foi introduzido
no século XVIII) acompanhados de uma
mistura - peixe ou carne de caça, geralmente
secos ao sol e salgados. Faziam parte da culinária
o milho para feitio de pães, bolos
e fubá; doces como rapadura e marmelada;
frutas silvestres e algumas hortaliças.
Devido ao calor e à comida pesada,
feita com banha de porco, era comum a sesta
após o almoço. |
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| Até 1710
o porto de Paraty era o principal acesso para
as minas de ouro, sendo bastante visado pelos
piratas. Para defender a vila de eventuais
ataques foram construídas seis fortificações.
Percebe-se assim que uma boa parte dos habitantes
da vila estavam a serviço do exército.
Havia nos fortes vigias de prontidão
encarregados de avisar a população
em caso de aproximação de navios
piratas, para que todos pegassem suas armas
e fossem ajudar na defesa do porto. As casas
próximas ao mar possuíam no
último piso uma pequena abertura no
telhado para que se pudesse observar a chegada
de navios. Se fossem piratas, o morador ia
correndo para a igreja avisar ao padre para
que tocasse o sino. Se fossem navios trazendo
mercadoria o morador ia correndo para seu
comércio abaixar os preços dos
produtos, pois sabia que com a chegada de
novas mercadorias o preço cairia rapidamente. |
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| Para entretenimento
da elite paratiense, havia um teatro onde
se apresentavam comédias jocosas chamadas
de óperas e as cavalhadas (espécie
de torneio com cavalos). Mas a principal diversão
da maioria era as xibas - festas que ocorriam
nas roças com músicas e danças
típicas da região. As festas
religiosas também eram momentos de
diversão para todos onde, depois de
cumpridas as obrigações religiosas,
havia músicas, danças e leilões
de comidas e prendas. |
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| O domingo era
dia de descanso, sendo inclusive proibido
abrir lojas e armazéns. Enquanto os
homens gostavam de se reunir para caçar
ou pescar, as mulheres aproveitavam o domingo
para se encontrar, trocar receitas e fazer
doces e outras guloseimas. |
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