| OS ÍNDIOS |
 |
|
| Casa do índio em Parety Mirim |
| |
| Os
índios Tuppin Inba (tuppin=tupi / inba=descendente)
são considerados pelos historiadores como
“o povo tupi por excelência” e
eram esses índios que ocupavam a região
costeira do cabo de São Tomé (norte
do estado do Rio de Janeiro) à Cananéia
(sul do estado de São Paulo) na época
do descobrimento do Brasil, com maior concentração
entre Cabo Frio e Ubatuba. O mais antigo e importante
registro da extensão do território
tupinambá foi feito pelo náufrago
alemão Hans Staden, capturado em Cananéia
pelos tupinambás em 1554 e transportados
pelo chefe Cunhambebe até as aldeias indígenas
de Mambukabe e Tickquarippe (atuais Mambucaba e
Taquari, ao norte de Paraty), ficando prisioneiro
desses índios por quase um ano. Nessa época
as duas principais aldeias tupinambás eram
Ariró (em Angra dos Reis) e Iperoig (Ubatuba).
Paraty situava-se no meio dessas aldeias. |
| |
| Vizinhos aos tupinambás,
mas do outro lado da serra do mar, na região
de Piratininga (atual cidade de São Paulo)
e no Vale do Paraíba, moravam os índios
Tuppin Ikin (tuppin=tupi / ikin=vizinho). Nos meses
de frio (maio a agosto) desciam anualmente a serra,
em diversos pontos, em busca de peixes e mariscos,
os quais salgavam ou defumavam para levar serra
acima, onde misturavam com outro tipo de alimentação
(os meses que os índios desciam para Paraty
coincidem com a época que o peixe parati
subia os rios para desova, tornando-se presas fáceis).
A trilha aberta por eles, num dos pontos mais baixos
da Serra do Mar, conhecido pelos portugueses como
Serra do Facão, seria futuramente utilizada
para escoar o ouro das “minas gerais”
e, mais tarde, o café do Vale do Paraíba.
Os índios chamavam essa mesma serra de Bocaina
que em tupi significa caminho para o alto ou caminho
no mato ou ainda de Paranapiacaba cuja tradução
é mar a vista. |
| |
| Esses dois grupos indígenas
- tupiniquins e tupinambás - apesar de serem
inimigos entre si, na época do descobrimento
do Brasil, estavam vivendo um período de
relativa harmonia. As áreas de domínio
de cada tribo estavam definidas e, eventualmente,
as tribos podiam passar pelo domínio vizinho
sem serem incomodadas. Essa harmonia seria logo
quebrada por incentivo dos portugueses. |
| |
| A abrigada baía
de Paraty, seus inúmeros rios navegáveis de canoa e a farta biodiversidade da Mata Atlântica,
garantiam a abundância de peixes, caça,
água potável, frutos e lenha, razão
da grande quantidade de indígenas que por
aqui viviam ou passavam. O próprio nome da
cidade vem da língua tupi e se refere a uma
espécie de peixe da família Mugil,
abundante nessa região e muito apreciado
pelos índios. Esse peixe, o parati, tem a
característica de nadar pela superfície
da água, o que o tornava presa fácil
paras as certeiras flechas indígenas. |
| |
|
| Oca
de índio na aldeia de Paraty-Mirim |
| |
| Os tupiniquins chamavam
os tupinambás de tamoios que significa mais
antigo e, chamavam as aldeias amigas de guaianã
que em tupi significa verdadeiramente manso (guaya=
manso e nã=verdade). Os portugueses, acostumados
a ouvir os tupiniquins chamando os índios
amigos de guaianã acharam que essa palavra
se referia àquela casta de índio e
por essa razão acabaram chamando os tupiniquins
de guaianases, concluindo erroneamente que era a
forma que eles se autodenominavam. Uma outra hipótese
para os portugueses chamares os tupiniquins de guaianases
está no fato de que quando estes desciam
para o litoral no meses de inverno em busca de alimento,
ficavam em tocas formadas por grandes pedra e em
tupi goiaminis quer dizer aquele que vive sob pedras
e sua pronuncia é parecida com guaianáses. |
| |
| O português João
Ramalho, náufrago que chegou ao Brasil antes
da expedição colonizadora de 1532
comandada por Martim Afonso de Souza, casou-se com
a filha de Tibiriçá – um dos
mais importantes chefes tupiniquins. João
Ramalho utilizou sua influência junto aos
índios dessa casta para fazer uma aliança
entre os portugueses e os tupiniquins. Por causa
dessa união, quando se doava uma sesmaria
na região de Paraty costumava-se mencionar
na Carta de Sesmaria que os índios guaianases
não deveriam ser molestados. |
| |
| Percebendo que seus
inimigos se aliaram aos portugueses, os tupinambás
(ou tamoios) logo se aliaram aos franceses que estavam
iniciando uma colonização em Uruçumirim
(atual Morro da Glória na cidade do Rio de
Janeiro). Pouco depois que a união tupiniquim/portugueses
derrotou os tupinambás/franceses em 1567,
começou o extermínio dos tupinambás
remanescentes - a maioria mulheres, que foram feitas
escravas, e velhos e doentes, “passados a
fio de espada” conforme palavras do próprio
governador do Rio de Janeiro, Antônio de Salema.
Esse extermínio ocorreu através de
diversas bandeiras pelo litoral (as mais conhecidas
são as lideradas por Araribóia em
1570, Antônio de Salema em 1573 e por Martim
de Sá em 1596, todas passando por Paraty). |
| |
| Desabitadas as aldeias
em Paraty, os tupiniquins começaram a frequentar
cada vez mais o local, muitos ficando para morar.
Os registros da colonização de Paraty
são de meados século XVII, quando
os tupinambás já haviam sido exterminados,
e a região era dominada pelos tupiniquins
(ou guaianáses), motivo pelo qual sempre
se comenta da presença dos “guaianáses”e
não dos tupinanbás ou tamoios. |
| |
|
| Oca
de índio na aldeia de Paraty-Mirim |
| |
| A partir do século
XVII os tupiniquins foram colocados em aldeias de
repartição onde eram catequizados
e depois repartidos ou alugados para colonos, perdendo
completamente suas características, a ponto
de serem considerados um povo extinto. |
| |
| Levantamentos arqueológicos
feitos na década de 1970 demonstram que os
índios de Paraty eram nômades ou seminômades,
morando em abrigos provisórios, em especial
grutas e tocas formadas por grandes pedras. |
| |
Em duas ocasiões
distintas (1853 e 1872), respondendo ao governo
da província, a Câmara Municipal informou
que não havia terras ou aldeias indígenas
em Paraty.
Na década de 1980 o governo federal deu a
oportunidade para índios guarani-mbyá,
liderados pelo cacique Vera-Tupã se estabelecerem
em Paraty, criando para eles duas reservas indígenas:
Araponga e Paraty-Mirim. |
| |
| A aldeia Araponga,
localizada próxima a BR-101, na altura da
Vila do Patrimônio, possui aproximadamente
45 índios e está numa reserva florestal
de 224 hectares. A aldeia Paraty-Mirim, localizada
junto à estrada de terra que leva à
praia do mesmo nome, possui 26 famílias com
120 índios e uma reserva de 80 hectares.
Os índios possuem, além do nome indígena,
um nome de batismo. As aldeias possuem escolas diferenciadas,
ensinando na língua guarani o currículo
tradicional. |
| |
| O povo guarani divide-se
em três grupos: Kayowá, Nandéva
e Mybá e foi o que mais resistiu a aculturação,
refugiando-se em florestas subtropicais do sul do
Brasil, Paraguai e Uruguai. Possuem tradições
que remontam ao século V antes de Cristo.
Existe ainda em Paraty um pequeno assentamento de
índios guarani-nandéva, na região
do Rio Pequeno, onde vivem doze índios numa
área de 36 hectares. |
| |
| A fabricação
de farinha de mandioca e o artesanato são
suas principais atividades econômicas. O artesanato
indígena tem a preocupação
estética de representar a fauna e a flora,
seja através das cores dos cocares e cestos
ou das esculturas de animais selvagens em madeira. |
| |
| Os índios podem
ser encontrados nas ruas de Paraty vendendo seu
artesanato. Também podem ser vistos no caminho
da praia de Paraty-Mirim que passa pela reserva
indígena. |
| |
|
| Oca
de índio na aldeia de Paraty-Mirim |
| |
| Conheça alguns
vocábulos indígenas que serviram para
dar nomes na região: |
| |
| Araponga (nome de uma
das aldeias indígenas) (ara=ave / ponga=ruído
– “nome de uma ave que faz um ruído
como uma batida de martelo”) |
| |
| Beiju (nome de uma
comida indígena) (beiju=bolo de mandioca
torrada) |
| |
| Bocaina (nome da serra
próxima à Paraty) (“entrada
do mato” ou “caminho para o alto” |
| |
| Caborê (nome
de um bairro) (corruptela de caá-por-é
caá=mato / por=povo – “povo que
vive no mato” ) |
| |
| Cairuçu (nome
de um pico) (1a possibilidade: cai=macaco / uçú=grande
- “espécie de macaco conhecido como
Muriqui” / 2a possibilidade: corruptela de
ocairuçu / oca=casa / uçu=grande) |
| |
| Cajaíba (nome
de uma enseada) (acaya=árvore / yba=cajá
– “cajazeira”) |
| |
| Iriri (nome de um rio
e de uma praia) (i=rio / riri=ostra) |
| |
| Itanema (nome de uma
praia) (itanema=metal fétido ou cobre) |
| |
| Itaoca (nome de uma
praia) (itá=pedra / oca=casa) |
| |
| Jabaquara (nome de
uma praia e um bairro próximos à cidade)
(yabá=fugir / quara=esconderijo – “quilombo”) |
| |
| Joatinga (nome de uma
ponta da costa) (yuá=fruto ou espinho / tinga=branco) |
| |
| Jurumirim (nome de
uma praia localizada numa pequena baía) (juru=baía
/ mirim=pequena) |
| |
| Mamanguá (nome
de uma enseada) (mamanguá=pasto) |
| |
| Mambucaba (nome de
um rio e de uma praia) (mambukabe=lugar das abelhas
mambucas, grandes produtoras de mel) |
| |
| Paratii (nome dado
pelos índios à região onde
se localiza a cidade) (parati=uma espécie
de peixe / i=rio, água – “rio
ou água onde há parati”) |
| |
| Patitiba (nome de um
rio e um bairro próximos à cidade
) (1a possibilidade: paty=palmeira / tyba=lugar)
(2a opção: corruptela de paratitiba:
parati=espécie de peixe / tyba=lugar –
“lugar do parati”) |
| |
| Perequê-Açu
(nome do rio que margeia a cidade) (pirá=peixe
/ ikê=entrada / açú=grande -
“grande estuário onde os peixes entram,
geralmente para desova”) |
| |
| Paranapiacaba (nome
dado pelos índios à Serra do Mar)
(“mar a vista”) |
| |
| Taquari (nome de um
bairro) (takua=taquara / ri=pequena) |
| |