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PARATY ISOLADA DO MUNDO (1870 a 1960)


O problema das cidades de passagem, dedicadas exclusivamente ao comércio, é que sua prosperidade é afetada por uma simples mudança de caminho das pessoas ou das mercadorias.

Dois grandes golpes levaram à decadência da cidade. O primeiro foi a abertura de estrada de ferro D. Pedro II em 1870, ligando o Vale do Paraíba ao Rio de Janeiro, ficando mais rápido, seguro e barato o transporte do café via ferrovia do que o caminho terrestre-marítimo via Paraty.

O segundo golpe foi a promulgação da Lei Áurea em 1888 abolindo a escravatura. Paraty dependia muito da mão de obra escrava, seja para a lavoura da cana e do café, seja para os engenhos e alambiques, seja para a constante manutenção do caminho que cruzava a serra, seja para a limpeza de galhos e árvores que caiam nos rios e represavam a água.

Entre 1870 e 1900 tentou-se manter o comércio com o Vale do Paraíba de mercadorias ainda produzidas na cidade (bananas, farinha, cachaça, palmito, café, feijão). Entretanto sem a devida manutenção o caminho pela serra tornou-se intransponível.

Após 1900 ocorreu um grande êxodo populacional, especialmente de homens a procura de trabalho nas cidades vizinhas. Os estabelecimentos comerciais fecharam e viraram residências. Havia superávit residencial e muitas casas ruíram por falta de manutenção. Dos 150 alambiques que produziam aguardente restaram menos de dez.

Rua Samuel Costa e Igreja de Nossa Senhora do Rosária e São Benedito no início do século passado


O acesso a Paraty, tanto de pessoas como de mercadorias, era feito pelos barcos a vapor Presidente e Nacional que partiam do Rio de Janeiro. Em 1925 a Santa Casa estava fechada por falta de recursos e não havia um único médico ou dentista na cidade. Segundo moradores locais, dos 12.000 habitantes existentes em 1880 (dos quais 10.000 livres e 2.000 escravos) restaram apenas 600, entre velhos, mulheres e crianças.

O isolamento geográfico e econômico permitiu Paraty manter suas características não apenas arquitetônicas, verificada no seu centro histórico, mas também culturais, verificadas nas procissões religiosas, nas comidas típicas, nos remédios caseiros a base de ervas e nas produções artesanais de canoas, balaios, bonecas, colchas, redes de pesca, etc...

Igreja da Santa Rita em foto do início do século passado


Em 1928 o presidente da República Washington Luis visita a cidade. Logo depois, em 1937 Paraty é tombada pelo Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional pelo Decreto-lei n. 25, com a finalidade de proteger o patrimônio arquitetônico e cultural. Em 1945 torna-se Monumento Histórico do Estado do Rio de Janeiro, pelo Decreto-lei n. 1450.

Em 1947, o Decreto Municipal n. 51 declara a cidade Monumento Histórico e em 1966 torna-se Cidade Monumento Nacional pelo Decreto n. 59077. Apesar da legislação protegendo os bens culturais da cidade, muito da história se perdeu quando, durante a ditadura militar, o interventor da cidade queimou grande quantidade de documentos, julgando-os papéis inúteis. Atualmente a cidade está trabalhando para ser reconhecida junto à UNESCO como Patrimônio da Humanidade.