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POVOS PRÉ-HISTÓRICOS


De acordo com a tese das “Quatro Migrações” a América foi colonizada a partir de quatro fluxos migratórios. O primeiro, iniciado há 12.000 anos, foi feito por povos de origem africana. Os demais foram feitos por populações mongóis, cujo DNA é o mesmo das populações indígenas atuais, e que assimilaram ou substituíram a primeira leva migratória. O caminho utilizado para chegar à América foi uma ponte de gelo formada nos períodos glaciais unindo a Ásia ao Alasca.

Os arqueólogos dividem as populações pré-históricas em tradições, de acordo com a maneira comum de fazer objetos e de se relacionar com o meio ambiente tais como, exclusivamente pescadores, caçadores e pescadores, ceramistas, horticultores.

As pesquisas arqueológicas realizadas em Paraty na década de 1970 puderam distinguir duas tradições nessa região: a Humaitá e a Tupi-guarani.

O povo mais antigo é o da tradição Humaitá - viveram a partir de 6600 anos AP (Antes do Presente). São extrativistas (caçadores, pescadores e coletores de frutos), produziam instrumentos em pedras (facas, raspadores, machados, quebra-coquinho, pontas de lanças), não conhecia a cerâmica, tinham em média 1,60 de altura e uma expectativa de vida inferior a trinta anos. Puderam-se definir três fases desse povo em Paraty. Na primeira, a alimentação era baseada principalmente em moluscos e crustáceo e, os instrumentos eram quase exclusivamente feitos em pedras. A fase seguinte caracteriza-se pela alimentação baseada em peixes e na produção de instrumentos feitos de ossos e dentes de peixe, destacando-se as pontas de ossos longos, esporões de raia e bico de peixe agulha. Por último, a caça foi introduzida na alimentação, permanecendo estável a produção de instrumentos em pedras e ossos, acrescentando apenas a utilização de dentes de mamíferos terrestres, possivelmente para adorno. Os hábitos alimentares indicam que esse povo era nômade, vivendo em tocas de pedras roladas ou abrigos provisórios.

Pela profundidade do material arqueológico encontrado nos sambaquis (lugar utilizado como abrigo, cozinha e sepultamento pelos povos antigos, em tupi samba=mariscos ki=amontoados), concluiu-se que o povo de tradição Tupi-guarani chegou à Paraty junto ou pouco antes da época do descobrimento. Esse povo seminômade caracteriza-se por ser horticultor (pequenas roças de mandioca e milho) e ceramista, sem, no entanto, abandonar a alimentação extrativista e deixar de utilizar instrumentos feitos em pedras, ossos e dentes. A cerâmica Tupi-guarani era destinada principalmente à culinária, seja para produção de panelas ou jarros para armazenamento de água e, possuem decorações características.



Também foram encontrados materiais arqueológicos de um povo fora das tradições Humaitá ou Tupi-guarani e que e estiverem em Paraty em algum período entre as duas. Esse material, composto por cerâmicas simples, pode ser da tradição Vieira ou da Taquara.

Na primeira camada das escavações arqueológicas, próxima à superfície, foram encontrados artefatos de indígenas aculturados, caracterizado pelo abandono dos instrumentos em pedras e ossos, substituídos por metal, e pela substituição dos motivos indígenas pelo europeu nas decorações das cerâmicas. A partir dessa fase muitos índios passaram a viver em aldeias, seja para facilitar a catequização seja pelo fato de não mais poderem andar livremente pelas terras.

Em Paraty, o abaixamento do mar em mais de dez metros da atual altura pôde ser constatado pelos buracos feitos por ouriços-do-mar em pedras localizadas na serra. Também se notou que os sambaquis mais antigos estavam próximos às serras, confirmando essa tese